PDF- -ENQUADRAMENTO LEGAL DO INTERNATO MÉDICO 1 Que - Admissão ao Internato Complementar em Portugal: Análise dos Resultados do Exame Nacional de Seriação entre 2006 e 2011

nternato Complementar em Portugal: Análise dos Resultados do Exame Nacional de Seriaç...

Description

Admission to Residence Training in Portugal: Analysis of the National Exam Results between 2006 and 2011 Isabel Pavão MARTINS1

Acta Med Port 2013 Sep-Oct

Objectivos: Neste estudo analisaram-se os resultados dos exames nacionais de seriação efectuados nos últimos 6 anos,

para identificar os factores responsáveis pela classificação.

Material e Métodos: Foram analisados os dados demográficos (nacionalidade,

género) e académicos (escola médica de origem,

média de curso,

ano do exame) de 8956 candidatos ao exame nacional de seriação e estudada a sua relação com a classificação obtida no exame.

Efectuou-se ainda uma análise de regressão linear múltipla para identificar os factores determinantes da classificação.

Resultados: Encontraram-se diferenças significativas na proporção de candidatos licenciados pelas diferentes escolas nacionais e pequenas discrepâncias,

na sua classificação média.

A percentagem de licenciados no estrangeiro atingiu os 15% nos últimos dois anos.

A média de curso,

ano do exame e o género influenciavam o resultado do exame nacional de seriação e explicavam 39% da sua variância,

particularmente a média de curso.

A correlação entre essas duas classificações variava entre 0,679 e 0,586 nas Escolas Nacionais mas era fraca nos licenciados no estrangeiro.

As Faculdades Nacionais apresentavam diferenças entre 0,2 e 8,5 pontos no exame nacional de seriação.

Conclusão: A formação pré graduada (média de curso e escola de Licenciatura) relaciona-se com o desempenho no exame nacional de seriação,

sobretudo nos Licenciados em Portugal.

Estes dados constituem uma oportunidade para comparar resultados a nível nacional e para reflectir sobre o impacto do futuro exame nacional de seriação.

Palavras-chave: Avaliação Educacional

Educação Médica Pós-Graduada

Escolas Médicas

Internato Médico

Modelos Educacionais.

Abstract Introduction: In Portugal,

new medical graduates undertake every year the Exame Nacional de Seriação,

to be ranked for the available postgraduate residency posts within the National Health Service.

Exame Nacional de Seriação is a multiple choice questions test on internal medicine.

Objectives: This study analyses the Exame Nacional de Seriação results between 2006 and 2011,

to identify the variables that predict its score.

Material and Methods: Academic (graduating University,

final classification) and biographic data (gender,

nationality) of 8956 candidates were analyzed and related to the Exame Nacional de Seriação’ score.

A linear regression analysis was performed to determine the predictors of that score.

Results: There were significant differences in the proportion of candidates coming from each National Medical School attending the Exame Nacional de Seriação,

and minor but significant discrepancies in their classification.

The percentage of international medical graduates increased to 15% in the last two years.

Candidates’ gender,

nationality (Portuguese or other),

graduating medical school and final graduating classification had a significant relation with ENS score,

explaining 39% of Exame Nacional de Seriação’ variance.

Final graduating classification was the single most predictive variable,

which correlation with Exame Nacional de Seriação’ score varied between .679 and .586 across Portuguese Medical Schools,

but was weak among candidates graduated abroad.

Conclusion: Pregraduate training (Final Graduating Classification and Medical School) is related to Exame Nacional de Seriação’ score,

particularly among national graduates.

This data might be relevant to understand the impact of the changes on Exame Nacional de Seriação about to be implemented.

Keywords: Education,

Medical,

Graduate

Educational Measurement

Internship and Residency

Models,

Educational

Schools,

Medical.

INTRODUÇÃO O acesso ao internato complementar representa um marco importante na vida dos médicos pois dá inicio à sua diferenciação profissional,

determina o local e a equipa com quem vão trabalhar nos 5-6 anos seguintes e garantelhes um emprego.

Nos países onde existe Serviço Nacional de Saúde,

a formação médica pós graduada faz-se maioritária ou exclusivamente nas Instituições públicas,

embora o sistema de acesso e de selecção dos candidatos varie consoante os

as especialidades e até os Centros Hospitalares / Unidades de Saúde.

Na maioria dos países Europeus e na América do Norte,

os serviços de acolhimento têm um papel muito activo na selecção dos candidatos,

quer através de avaliações curriculares e exames de pré-selecção,

quer mediante entrevistas individuais.

Em Portugal,

o Ministério da Saúde e a Ordem dos Médicos certificam os serviços responsáveis pela formação pós graduada e o Ministério da Saúde decreta anualmente

Laboratório de Estudos de Linguagem.

Departamento de Neurociências.

Faculdade de Medicina e Instituto de Medicina Molecular.

Universidade de Lisboa.

Lisboa.

Portugal.

Recebido: 27 de Fevereiro de 2013

Revista Científica da Ordem dos Médicos 569 www.actamedicaportuguesa.com

ARTIGO ORIGINAL

Admissão ao Internato Complementar em Portugal: Análise dos Resultados do Exame Nacional de Seriação entre 2006 e 2011

Martins IP.

Admissão ao internato complementar em Portugal: análise dos resultados entre 2006-11,

Acta Med Port 2013 Sep-Oct

ARTIGO ORIGINAL

o número e o local das vagas para cada especialidade.

Todavia,

a selecção e a distribuição dos candidatos são inteiramente determinadas por uma única prova de admissão,

igual para todas as especialidades e serviços,

designada por Exame Nacional de Seriação (ENS).

Este exame,

com uma duração de 150 minutos,

consiste num teste escrito com 100 perguntas de escolha múltipla,

apenas com uma alínea correcta,

divididas equitativamente por cinco áreas da Medicina Interna e com uma única referência bibliográfica,

de um livro de texto Norte-americano.1 A classificação obtida neste teste estabelece a ordem pela qual os candidatos escolhem as vagas disponíveis,

recorrendo-se à média de curso em situações de empate.

Ou seja,

o candidato escolhe o serviço em função da sua nota mas o serviço responsável pela formação não escolhe nem se pronuncia sobre o candidato,

o que dá particular relevância a este exame de acesso à especialidade.

O ENS foi instituído exactamente para ordenar a admissão dos médicos ao internato complementar através de um método equitativo.

Porém,

a selecção dos conteúdos para este teste foi feita de forma pouco criteriosa,

fazendo prevalecer o número de capítulos e páginas sobre a pertinência dos temas.

De facto,

a matéria seleccionada induz o médico a memorizar uma extensa lista de dados e detalhes sobre doenças raras que não fazem parte da clínica de rotina e são irrelevantes para a sua actividade profissional mas,

permite-lhe ignorar patologias tão frequentes e importantes como a diabetes,

as doenças oncológicas mais comuns em Portugal,

as doenças infecciosas banais e as urgências cirúrgicas,

para mencionar apenas alguns tópicos da medicina do adulto.

A falta de critério na selecção dos conteúdos traduz-se assim num enorme desperdício do potencial de aprendizagem.

Sabe-se que a avaliação modela a preparação e a estratégia cognitiva dos alunos/candidatos2-4 e isso é particularmente importante num exame decisivo para as suas vidas.

Embora o ENS pudesse estimular,

uma aprendizagem orientada para a prática clínica e uma revisão aprofundada de conhecimentos,

raciocínios e atitudes após a formação pré graduada,

o actual formato acaba por promover uma aprendizagem mais superficial e dirigida ao sucesso no exame e não à aquisição de conhecimentos em si.

Apesar das críticas repetidas e do carácter limitado dos conteúdos e da bibliografia,

o exame manteve-se inalterado ao longo de mais de três décadas.

Além disso,

nunca foi divulgada uma análise aprofundada dos resultados,

pelo menos fora do Ministério da Saúde.

Independentemente do seu objectivo,

este exame tem aspectos muito particulares pois é o único que avalia os médicos a nível Nacional (o que o torna próximo de um Exame de Estado),

é o primeiro exame a que os recém-licenciados se submetem fora das Faculdades e é tutelado pelas entidades de Saúde,

com consequências sobre a formação pós graduada.

Encontrando-se neste momento em preparação e dis-

cussão um novo exame de seriação,

pareceu-nos que seria interessante e oportuno analisar os resultados dos últimos exames realizados e compreender os factores que determinam o seu resultado.

Para além do seu interesse intrínseco,

esta análise poderá ser comparada com os resultados do futuro exame de seriação.

MATERIAL E MÉTODOS A análise foi efectuada numa base de dados,

amavelmente cedida pela Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS).

Esta base incluía alguns dados biográficos (género,

nacionalidade) e académicos dos candidatos (Faculdade de Licenciatura e média de curso),

além dos resultados obtidos no ENS.

Os dados correspondem aos dos exames realizados,

cujos candidatos foram admitidos no internato complementar entre Janeiro de 2007 e Janeiro de 2012.

A identidade dos médicos participantes foi apagada da base,

embora a respectiva classificação individual seja pública e disponibilizada todos os anos através do site do Ministério da Saúde.

Análise estatística A distribuição das notas de licenciatura e do exame de seriação foi estudada pelo teste de Kolmogorov-Smirnov.

As comparações entre grupos foram feitas pelo test t de Student ou por Análises de Variância (ANOVA) com análises pós hoc de Tukey HSD.

A associação entre variáveis foi estudada pelo teste do c2 (variáveis nominais) ou através de correlações de Pearson (variáves lineares).

Para identificar os factores determinantes da classificação no ENS foi realizada uma análise de regressão linear múltipla,

sendo a nota do exame a variável dependente e a nota de curso,

nacionalidade (Portuguesa ou estrangeira),

género e Faculdade de origem,

Esta análise permite determinar o efeito de cada uma das variáveis (através do coeficiente de regressão) no resultado do ENS,

tendo em conta as interacções entre todas as variáveis testadas no modelo e determinar a percentagem da classificação no ENS determinada por essas variáveis.

Foram realizados testes de diagnóstico de multi-colinearidade e de auto correlação dos erros (estatística de Durbin-Watson).

O nível de significância foi estabelecido para um valor de p < 0,05.

A análise foi efectuada num programa de estatística SPSS5 versão 21.0,

após conversão de ficheiros de Excell.

RESULTADOS Distribuição dos candidatos por ano e por Faculdade de Licenciatura Entre 2006 e 2011 foram realizados,

O menor número de candidatos verificou-se em 2007,

seguido por um aumento anual dos candidatos até 2011 (Tabela 1).

Em 2006,

houve dois cursos consecutivos a realizar este exame,

devido à redução do internato geral em seis meses,

o que explica o elevado número de candidatos nesse ano.

A distribuição dos candidatos pelas Escolas Médicas

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Admissão ao internato complementar em Portugal: análise dos resultados entre 2006-11,

Acta Med Port 2013 Sep-Oct

Ano Candidatura 2006 FMUL

ICBAS

UM – ECS Faculdades Estrangeiras Total

Total 2009

22,6%

20,1%

20,3%

19,2%

20,6%

19,9%

20,5%

19,6%

16,4%

15,9%

16,0%

13,1%

13,3%

15,6%

16,7%

19,1%

19,9%

16,2%

17,0%

17,8%

18,1%

16,6%

17,2%

15,2%

15,1%

16,4%

12,5%

12,3%

10,9%

10,5%

10,9%

10,5%

10,5%

10,0%

10,5%

15,4%

15,8%

12,4%

Nacionais foi bastante heterogénea,

embora estável ao longo dos seis anos (Tabela 1).

Cerca de um quinto dos médicos tinham completado a Licenciatura/Mestrado Integrado na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa (FMUL),

seguindo-se por ordem decrescente as Faculdades de Medicina da Universidade de Coimbra (FMUC),

Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP),

a Faculdade de Ciências Médicas de Lisboa (FCM) e o Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS) da Universidade do Porto.

Os médicos licenciados pela Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade da Beira Interior (UBI) e pela Escola de Ciências da Saúde da Universidade do Minho (UM) só participaram neste exame a partir de 2007 e constituem 4 e 3% dos candidatos.

Por outro lado,

Este grupo aumentou de forma significativa nos últimos dois anos,

passando de 10 para 15% do total de candidatos e,

o seu número ultrapassou os candidatos de cinco das sete Faculdades Nacionais (Tabela 1).

Análise das variáveis demográficas e académicas No total dos seis anos,

verificou-se um predomínio significativo de candidatos Portugueses (92,3%),

do sexo feminino (63,3%) e de Licenciados em Universidades Por-

A distribuição entre géneros sofreu variações anuais,

embora sempre com predomínio feminino.

Os médicos estrangeiros constituíam 8.47 % (n = 759) do total de candidatos,

com uma percentagem que variou entre 6,2 e 9,2 % ao longo dos 6 anos.

Embora a maioria (75,8%) dos estrangeiros se tivesse licenciado fora de Portugal,

constituindo uma percentagem variável dos candidatos das diversas escolas.

Essa percentagem era mais alta na Universidade de Coimbra (4,1% dos candidatos da FMUC eram estrangeiros) e no ICBAS (3,2%),

e mais baixa (0,3 %) na UBI e nula na UM.

Os candidatos estrangeiros (considerando aqui quer os Licenciados no estrangeiro,

quer em Portugal) eram originários de mais de 50 países.

Os grupos de maior dimensão,

no total dos 6 anos e por ordem decrescente,

eram provenientes da Ucrânia (n = 143

18,84%),

Espanha (n = 97

12,8%),

Brasil (n = 72),

Rússia (n = 51),

Guiné Bissau (n = 46),

Cabo Verde (n = 38),

Moldávia (n = 38),

Angola (n = 31),

Roménia (n = 29),

Itália (n = 25),

Moçambique (n = 13),

Venezuela (n = 13),

Alemanha (n = 11) Colômbia (n = 10),

tendo os restantes países menos de 10 candidatos.

No total,

os médicos da União Europeia representavam 18,4% (n = 140) de todos os estrangeiros e os de países de

Revista Científica da Ordem dos Médicos 571 www.actamedicaportuguesa.com

ARTIGO ORIGINAL

Tabela 1

Martins IP.

Admissão ao internato complementar em Portugal: análise dos resultados entre 2006-11,

Acta Med Port 2013 Sep-Oct

Mean = 15,04 Std.

ARTIGO ORIGINAL

Mean = 12,560 Std.

Frequency

Frequency

100 100

0 10,000

12,000

14,000

16,000

18,000

20,000

10,000

12,000

Nota Licenciatura

14,000

16,000

18,000

20,000

22,000

Nota Licenciatura

Figura 1

A média de Licenciatura não seguiu uma distribuição normal (K-S Z = 8,52,

Tabela 2

classificação média no exame de seriação e correlação entre as duas notas,

Faculdade de Licenciatura/ Mestrado Integrado

Média de curso Média ± (DP) 2006

- 2011

Classificação no Exame Média ± (DP) 2006

- 2011

Universidade de Lisboa

15,70

69,41

(1,03)

(14,36)

Universidade Nova de Lisboa (Faculdade de Ciências Médicas)

15,49

66,26

(1,41)

(14,51)

Universidade de Coimbra

14,47

66,10

(1,14)

(14,27)

Faculdade de Medicina da Universidade do Porto

14,74

69,95

(1,07)

(14,33)

Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar da Universidade do Porto

13,34

67,30

(1,03)

(13,89)

Universidade da Beira Interior

15,61

63,84

(1,01)

(12,47)

Universidade do Minho (Escola de Ciências da Saúde)

15,02

72,33

(1,03)

(12,50)

Universidades e Escolas Medicas Estrangeiras

12,56

48,85

(2,56)

(15,16)

Total – n = 8956

Correlação Nota curso Nota de exame (r de Pearson)

0,648**

0,654**

0,655**

0,679**

0,586**

0,591**

0,651**

0,236**

0,576 **

Revista Científica da Ordem dos Médicos 572 www.actamedicaportuguesa.com

língua Portuguesa (PALOP e Brasil) 27,3% (n = 207).

Por outro lado,

cerca de 6,5% dos Portugueses tinham-se licenciado no estrangeiro,

formando a larga maioria (43,1%) do grupo com Licenciatura Internacional.

O seu número aumentou em valor absoluto todos os anos de 42 em 2007 para 174 em 2011.

A nota de Licenciatura era,

não seguia uma distribuição normal e aumentou ao longo dos anos,

de 14,4 em 2006 para 14,9 em 2011.

A média dos médicos licenciados em Portugal era 15,04 ± 1,21 e a dos Licenciados no estrangeiro de 12,56.

Esta última apresentava um pico nos 10 valores,

o que poderá resultar do sistema de equivalência aplicado (Fig.

As médias de Licenciatura não eram iguais entre as Faculdades Nacionais e distribuíam-se em 4 grupos significativamente diferentes (ANOVA,

F = 645,88 (7,8948),

p < 0,001) (Tabela 2): a) a FMUL,

UBI e FCM apresentavam as médias de curso mais altas (15,5 – 15,7),

não diferindo entre si de forma significativa.

Seguiam-se b) a UM e c) a FMUP e depois d) com as médias mais baixas,

que também não diferiam entre si.

A diferença máxima entre as escolas era de 1,37 pontos.

Os candidatos internacionais em média,

tinham menos três valores do que os Licenciados em Portugal e maior variação.

Análise univariada da Classificação obtida no ENS A nota obtida no teste foi,

de 65,54% (± 15,72) e não seguia uma distribuição normal quer com todos os candidatos quer apenas os Licenciados em Portugal.

A nota média sofreu variações significativas ao longo dos anos (Anova F = 31,35 (5,

8950),

entre 68,5% em 2007 e 62,45% em 2011,

o que pode traduzir diferentes graus de dificuldade do teste.

Cerca de 2% dos candidatos obtiveram classificações muito baixas,

distribuindo-se um pouco por todas as faculdades (Figura 2).

Embora existissem diferenças estatisticamente significativas (F = 266,73 (7,

8948),

p < 0,001) de média entre as Escolas Médicas Nacionais,

a análise pós hoc mostrou que várias Faculdades não diferiam entre si,

a diferença média entre escolas era de poucos pontos,

sendo o máximo 8,49 pontos o que corresponde a oito ou nove perguntas do teste (Tabela 2).

A comparação entre as Faculdades Nacionais é apresentada na Tabela 3,

sendo de notar que as escolas que se encontram na mesma coluna não diferem significativamente entre si.

Os médicos de Nacionalidade Portuguesa obtiveram,

uma classificação 22 pontos superior à dos candidatos internacionais (67,41 vs 45,21) (Student t =

95% CI:

-23,154

Faculdade Estrangeira

7.254

Faculdade de Licenciatura

Universidade do Minho

8.007

Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade da Beira Interior 5.964 1.613 8.929 7.590 2.959 4.441

Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar

Faculdade Medicina do Porto

7.122

Faculdade Medicina de Coimbra

4.360

4.298

4.541

Faculdade de Ciências Medicinas da Universidade Nova de Lisboa 6.568

Faculdade Medicina de Lisboa

7.312

Nota Prova Figura 2

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Admissão ao internato complementar em Portugal: análise dos resultados entre 2006-11,

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ARTIGO ORIGINAL

-3,45,

1 902).

A nota dos licenciados no estrangeiro foi inferior à dos diplomados em Portugal (48,85 ± 15,16 vs 67,98 ± 14,31) (Student t =

-33,40,

95% CI

-18,0).

Por outro lado,

os médicos de nacionalidade Portuguesa licenciados no estrangeiro,

obtiveram a classificação média de 54,3% [com uma variação anual entre 52 (2011) e 59% (2007)],

ou seja superior à média dos outros licenciados no estrangeiro.

Verificou-se ainda que existia uma correlação positiva e significativa (Pearson r = 0,576,

p < 0,000) entre a nota do ENS e a de licenciatura.

Esta correlação era mais forte na FMUP (r = 0,679) e na FMUC (r = 0,655) e mais fraca nos Licenciados Internacionais (r = 0,236.

Analise multivariada O modelo de regressão linear múltipla da nota do exame em função das variáveis analisadas (ano do exame,

género,

nacionalidade Portuguesa ou estrangeira,

faculdade e média de Licenciatura),

entre os licenciados em Portugal,

foi estatisticamente significativo (F (5,7843) = 1003,62

R2 = 0,39

p < 0,001) e explicava 39% da variabilidade da nota do ENS.

A análise dos coeficientes de regressão mostrou que todas as variáveis consideradas se associavam à nota no ENS,

particularmente a nota de Licenciatura,

seguida da Faculdade de Licenciatura e depois o ano do exame.

Por outro lado,

quando se consideraram todos os candidatos,

o modelo explicava 38% da variabilidade na classificação do ENS (F (5,8950) = 1111,28

R2 = 0,383

p < 0,001) e a nota de Licenciatura,

o ano e a nacionalidade Portuguesa eram as principais variáveis preditivas mas não tanto a Faculdade de origem (Tabela 4).

DISCUSSÃO Neste estudo procurámos caracterizar o perfil académico dos médicos que se candidataram ao Exame Nacional de Seriação num período de seis anos e compreender os factores que determinaram a sua classificação nesta prova.

Destacamos os seguintes achados: 1.

Existem marcadas assimetrias no número de licenciados que se formam nas diferentes Faculdades Nacionais e por conseguinte no número de candidatos de cada escola ao exame de seriação,

com maior peso das três Universidades mais antigas do país,

Estas diferenças de proporção foram consistentes ao longo dos seis anos analisados.

Por outro lado,

a percentagem de médicos com licenciaturas internacionais que se candidatam ao ENS tem vindo a aumentar,

constituindo 15% dos candidatos nos dois últimos anos analisados.

Em 2011 o seu número ultrapassou não só o dos candidatos da UM e da UBI mas também do ICBAS,

Verificou-se ainda que um número crescente dos Licenciados no estrangeiro é constituído por Portugueses,

que provavelmente tentam regressar ao país durante a formação pós graduada.

Embora não tivéssemos informações que permitissem organizar estes candidatos por Faculdade de Licenciatura,

os seus dados são muito relevantes tanto mais que este grupo tem vindo a aumentar.

A sua análise pode ajudar a conhecer a formação que os estudantes de Medicina Portugueses têm recebido no estrangeiro,

comparar o seu desempenho e o seu trajecto profissional com o dos médicos saídos das Faculdades Nacionais e até contribuir para compreender a adequação do actual método de selecção para a formação pré graduada praticado em

Tabela 3

Os grupos que se encontram na mesma coluna não diferem significativamente entre si.

Subset for alpha = 0,05 Faculdade de Licenciatura N

Faculdades Estrangeiras

48,85

Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade da Beira Interior

63,84

Faculdade de Medicina de Coimbra

66,10

Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa

66,26

Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar

67,30

Faculdade de Medicina de Lisboa

Faculdade de Medicina do Porto

69,95

Universidade do Minho

72,33

1,000

0,064

Revista Científica da Ordem dos Médicos 574 www.actamedicaportuguesa.com

66,10

Means for groups in homogeneous subsets are displayed.

0,778

0,107

69,41

0,997

1,000

Portugal.

Os candidatos Internacionais ao ENS compreendem mais de 50 nacionalidades diferentes,

o que ilustra bem a progressiva diversidade de cultura,

língua e formação dos médicos que vêm prosseguir o seu treino em Portugal.

Existe seguramente uma enorme heterogeneidade de motivos que os levam a candidatar a este exame,

com factores de atracção por Portugal e outros de afastamento dos países de origem,

tal como tem sido identificado noutros trabalhos.6 É provável que neste grupo existam grandes diferenças de idade,

empenho na formação avançada e nos motivos da emigração,

que podem explicar a variabilidade de resultados que este grupo obtém na prova.

Embora a maioria destes candidatos provenham de países de Língua Portuguesa,

há também muitos médicos do Leste da Europa e da União Europeia,

de países integrados no processo de Bolonha,

que poderão ter uma formação Universitária mais homogénea relativamente à Portuguesa.

Segundo um estudo sobre a mobilidade dos profissionais de saúde na Europa,7 o número de profissionais estrangeiros a exercer em Portugal triplicou entre 1998 e 2004,

tendo havido posteriormente um decréscimo relacionado com a saída de muitos médicos Espanhóis.

De acordo com a mesma fonte,

em 2007 os principais grupos vinham de Espanha,

e metade dos médicos estrangeiros já tinham uma especialidade.

Nesta análise esses grupos foram suplantados pelos médicos da Ucrânia e é possível que para alguns médicos,

este exame seja a primeira tentativa de obtenção de um posto no Serviço Nacional de saúde,

mas não dispomos desses dados.

Existem diferenças pequenas,

nas médias de curso entre as Escolas Nacionais,

que podem indicar diferentes critérios de avaliação ou discrepâncias nas características dos alunos.

Por outro lado existe uma tendência para o aumento das médias ao longo do tempo.

A média de curso foi a variável mais preditiva da nota no ENS e o grau de correlação entre as duas dependia da universidade.

Se considerarmos a nota de Licenciatura como o gold standard da avaliação,

uma vez que representa uma média de todas as avaliações ao longo de seis anos e em todos os domínios e competências (conhecimentos,

esta correlação mostra que apesar de todas as limitações do ENS,

a sua nota não é completamente imprevisível.

Os alunos com melhor preparação tendem a obter classificações mais altas e os com pior desempenho ficam mais mal classificados.

Esta correlação não valida o conteúdo nem o constructo do ENS mas poderá ser considerada uma medida de validade de critério,

que habitualmente é definida pela correlação entre variáveis.8,9 É importante sublinhar que este teste avalia apenas conhecimentos e dentro de uma área restrita da medicina interna.

Uma formação mais centrada no raciocínio clínico,

gestos e na comunicação não tem tradução nesta nota e pode ser penalizada nesta avaliação.10 O facto das variáveis incluídas no modelo de regressão só explicarem 39% da variação do ENS significa que há outros factores a condicionar a nota,

um dos quais pode ser a qualidade,

o tempo e o esforço de preparação para o exame.

A ausência de dados dos candidatos anteriores à Licenciatura (média de entrada para a Faculdade,

ou referentes à classificação em disciplinas próximas das avaliadas neste teste,

constitui uma limitação desta aná

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ADNAN BEDLEK TÜİK KARS BÖLGE MÜDÜRÜ 13/07/2016

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