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Administração Intercultural no Novo Mundo: ambigüidade e adaptabilidade como veículos sociais no Brasil e no Quebec Autoria: Jean Pierre Dupuis,

Eduardo Davel

Resumo: No contexto atual de internacionalização das empresas,

de expansão de movimentos migratórios e de globalização das economias mundiais,

a administração internacional significa uma administração intercultural.

No intuito de contribuir com uma melhor compreensão dos padrões culturais de referência entre duas coletividades do Novo Mundo – Brasil e Quebec –,

esta pesquisa examina os fenômenos socioculturais relacionados a ambigüidade e a adaptabilidade.

Num primeiro momento,

aborda-se o enraizamento desses fenômenos em seu contexto sócio-histórico distinto,

destacarem-se algumas de suas manifestações no âmbito das empresas e da administração brasileira e quebequense.

Os resultados deste estudo chamam a atenção para as semelhanças e distinções desses fenômenos em termos de modos de gestão,

mas também aponta para a viabilidade de se desenvolver uma reflexão mais acurada sobre modos de gestão americanos alternativos àqueles desenvolvidos nos Estados Unidos.

INTRODUÇÃO Não resta dúvida de que a administração internacional nos remete à administração intercultural.

De fato,

os fenômenos de internacionalização das empresas,

da globalização das economias mundiais são acompanhados de um próspero desejo de compreender e intervir sobre a pluralidade cultural presente nas relações que as empresas estabelecem com empregados,

Ou seja,

a envergadura internacional de numerosas empresas,

bem como o caráter multicultural das sociedades contemporâneas,

confrontam a administração com a diversidade cultural,

implicando que indivíduos advindos de culturas diversas interajam no contexto de suas atividades profissionais (Chevrier,

1993).

Dessa forma,

torna-se necessário melhor apreender nossos quadros de referências culturais e desenvolver nossa abertura ao multiculturalismo,

a fim de se evitarem os perigos do etnocentrismo e melhor entender os fenômenos de aculturação e de apropriação local (Prime,

2001:53).

Por exemplo,

um melhor conhecimento do contexto cultural do Quebec e do Brasil permitiria às pessoas implicadas em uma relação profissional evitar os “mal-entendidos” culturais contraprodutivos,

que acarretam custos suplementares ou levam ao fracasso nas alianças ou em qualquer outro projeto de cooperação internacional.

Como demonstrado por diversos autores (d’Iribarne,

Hosftede & Bollinger,

1980),

cada grupo nacional gera suas próprias representações e práticas no mundo dos negócios.

Práticas e representações que é necessário compreender,

para que as interações e negociações interculturais sejam bemsucedidas.

Para os quebequenses e os brasileiros,

trata-se de melhor compreender as dinâmicas culturais locais e apropriar-se delas,

para ficarem aptos a interagir mais eficazmente com os outros.

Este artigo busca contribuir com o avanço desses conhecimentos interculturais,

concentrandose em um exame da ambigüidade e da adaptabilidade como processos culturais significativos tanto da sociedade brasileira quanto da sociedade quebequense.

O enfoque se concentra,

sobre a explicação cultural que podemos desenvolver em termos de dinâmica social no trabalho e em administração,

a partir da formação de uma certa lógica cultural associada aos fenômenos da ambigüidade e da adaptabilidade,

Todavia,

é necessário precisar que,

quando falamos de traços culturais no Brasil e no Quebec como elementos fundamentais,

isso não significa nem que acreditamos que tais elementos simbolizem a totalidade dessas sociedades em todas as suas possíveis expressões nem que eles expressem o comportamento “típico” dos brasileiros e quebequenses.

Por outro lado,

eles sintetizam um conjunto de relacionamentos e procedimentos que os indivíduos identificam como parte deles.

Como é difícil falar de cultura sem falar de contexto,

examinaremos o enraizamento da ambigüidade e da adaptabilidade em seu contexto sócio-histórico,

abordar suas manifestações e seus significados nas sociedades brasileira e quebequense.

Na segunda parte,

discutiremos a influência que esses elementos culturais podem exercer sobre a vida e a administração das empresas.

Por último,

a possibilidade de pensar uma gestão americana diferente daquela advinda dos Estados Unidos será evocada,

a partir de casos brasileiros e quebequenses.

AS DINÂMICAS SÓCIO-HISTÓRICAS O interesse por desenvolver uma análise sobre a administração intercultural no Quebec e no Brasil se explica,

pelo fato de que essas coletividades são relativamente novas (Bouchard,

2000),

no sentido de que elas são originárias da aventura européia no Mundo Novo.

Isso torna o trabalho de comparação tão pertinente quanto intrigante,

já que tais sociedades revelam trajetórias socioculturais às vezes semelhantes,

às vezes estrangeiras.

Antes de focalizarmos a formação de uma dinâmica cultural orientada pela ambigüidade e pela adaptabilidade,

precisamos compreender a significação distinta que tais elementos possuem nessas duas coletividades.

Ou seja,

esses elementos não nos remetem exatamente à mesma significação no Brasil e no Quebec.

O Quebec: um vai-e-vem entre rupturas e continuidade A ambigüidade e a adaptabilidade no âmbito da sociedade quebequense decorrem de relações estabelecidas alternativamente com a França,

Trata-se,

de um vai-e-vem entre diferentes padrões culturais,

políticos e econômicos próprios desses países,

de uma posição de minorias eternas nessa relação.

Assim,

o Quebec permaneceu durante 150 anos uma colônia da França (1608-1759) e,

a sociedade francesa na América,

seus modelos de ação e de representação.

Em 1760,

tornou-se uma colônia britânica e,

uma província de um país dominado pelos canadenses de língua inglesa.

Finalmente,

a influência crescente da economia e da cultura americanas representou determinantes para a sua identidade.

É interessante comparar as rupturas e as continuidades que marcaram o Quebec com aquelas de outras coletividades novas (Austrália,

Nova Zelândia,

México e América Latina,

Canadá e Estados Unidos),

separar as singularidades fundamentais das superficiais.

Bouchard (2000) o realiza,

comparando essas coletividades tanto no plano dos itinerários socioculturais e políticos quanto naquele das representações que tais sociedades se forneceram.

A primeira singularidade que Bouchard (2000) destaca é que o Quebec foi a única coletividade nova a ter sido “submetida a tantas dependências entrelaçadas,

simultaneamente ou sucessivamente: a França no plano econômico,

o Vaticano no plano religioso,

a Inglaterra e os Estados Unidos no plano econômico e cultural” (Bouchard,

2000:173).

Assim,

compreender a cultura do Quebec significa compreender as continuidades e rupturas com relação aos modelos culturais advindos principalmente da França,

Além disso,

a coletividade quebequense é “a única a ter efetuado uma dupla ida e volta entre continuidade e ruptura no curso de sua história” (Bouchard,

2000).

De fato,

apesar de a maioria das coletividades novas se diferenciarem progressivamente das sociedades “mães”,

para passarem cada vez mais por rupturas definitivas e irreversíveis (às vezes radicais,

o Quebec mergulha novamente – depois de ensaios de rupturas fracassadas – no paradigma da continuidade,

ao menos no plano das representações,

os velhos modelos culturais europeus.

A mudança da metrópole,

conta bastante nesse vai-e-vem entre continuidade e ruptura que caracteriza o Quebec.

Com efeito,

a colônia progride no caminho da diferenciação,

“até engendrar um sentimento de identidade” (Bouchard,

2000:91),

proclamar uma vontade de romper totalmente com a pátria-mãe nos planos político e cultural,

a passagem para o domínio da Inglaterra vai,

No curto prazo,

o Quebec não interrompeu o processo de diferenciação em progressão,

mesmo que ele forneça outras referências culturais,

abrindo espaço para sincretismos entre tradições francesas e inglesas,

para inovações nos planos culinário,

São as tentativas abortadas de ruptura sob o regime inglês (por exemplo,

o fracasso dos Patriotas na tentativa de criar uma república,

na década de 1830) que vão trazer e exacerbar o “lado” francês dos canadenses,

em detrimento de sua “americanidade” em emergência.

São os ingleses que criam obstáculos,

à mudança

são eles que ameaçam os fundamentos franceses da cultura canadense.

Com efeito,

após as insurreições dos Patriotas e a repressão exercida pelo exército britânico,

Lord Durham,

encarregado de preparar o relatório às autoridades britânicas sobre esses eventos,

propõe a assimilação dos descendentes dos franceses como solução à crise canadense.

Em seguida,

a identidade cultural quebequense é ameaçada pela americanização crescente e quase irreversível das classes populares,

que impede a criação de uma identidade baseada na cultura tradicional dos canadenses de língua francesa (Tremblay,

Rioux,

1990).

Nesse sentido,

Tremblay (1983) falara de uma cultura quebequense em perigo,

fragmentada e à mercê da cultura americana (anglo-saxônica).

Para esse autor,

uma clivagem irreconciliável se desenha,

no interior da sociedade quebequense,

entre o universo cultural de língua francesa e o universo anglo-americano.

Esses dois tipos majoritários da identidade quebequense permanecem irreconciliáveis (Tremblay,

1983:223).

Uma dinâmica social baseada na ambigüidade e na ambivalência Do choque desses dois universos se produz uma série de comportamentos cheios de contradições e ambigüidades.

Por causa de uma dupla estrutura social e de uma dupla cultura (inglesa e francesa),

os quebequenses tenderão a passar facilmente de uma a outra e a reter elementos das duas culturas.

Para Rioux (1990:36),

o resultado da participação dos quebequenses nessa dupla estrutura social e cultural se traduziria em comportamentos caracterizados pela ambigüidade e pela ambivalência.

Pela comparação à outras coletividades novas,

Bouchard (2000) será menos pessimista com relação ao destino reservado à identidade quebequense,

mesmo que ele detecte alguns sinais inquietantes sobre essa questão.

Essa comparação permite a Bouchard não interpretar da mesma forma as ambigüidades e a ambivalência de identidade da cultura quebequense.

Com efeito,

um dos pontos comuns de várias coletividade novas,

corresponde à dificuldade em afirmar sua identidade,

devido à impregnação da ambigüidade e da ambivalência,

traços que se apóiam sobre a identificação com a pátria-mãe e com outras sociedade e modelos.

Assim,

essas ambigüidade e ambivalência face a diferentes referências culturais provêm do status minoritário dos quebequenses,

não somente no plano político mas também no plano econômico,

durante um longo período do processo de desenvolvimento do Quebec.

Desde o início da industrialização até a década de 1960,

os quebequenses não controlavam sua economia,

nem ocupavam cargos de direção nas grandes empresas canadenses ou americanas presentes no Quebec.

Essa situação os colocava,

numa condição de subordinação com relação aos canadenses de língua inglesa.

Conseqüentemente,

a imagem que os quebequenses desenvolveram de si próprios é amplamente devedora do universo cultural de língua inglesa.

Pode-se concluir que,

no plano das representações e dos padrões culturais,

o Quebec se libertou consideravelmente,

Ele vem desenvolvendo sua personalidade cultural ao longo dos últimas quatro décadas de maneira mais positiva.

O desenvolvimento da literatura,

de uma indústria da música e do espetáculo e de outras ainda,

uma certa cultura quebequense.

O Quebec permanece,

como algumas outras coletividades novas,

Létourneau (2000: 116-117) indica a marca da identidade quebequense: “Poderíamos nos indagar se esta ambivalência de ser e de agir dos quebequenses é tão insalubre quanto ao que se diz a respeito da coletividade quebequense (…) eu penso que não (…) Essa maneira de agir e de se tornar originária de vários registros,

níveis e meios políticos constitui,

uma forma de expressar sua dupla condição histórica de minoria e de maioria no contexto canadense e norte-americano.

Talvez ela constitua a marca particular,

da coletividade quebequense na universalidade das culturas.

Nesse caso,

a ambivalência dos quebequenses não seria a expressão de uma alienação coletiva ou de um fracasso,

mas uma marca de lucidez e uma forma de liberdade.” Atualmente,

o modelo americano se impõe cada vez mais e a cultura quebequense se americaniza (a penetração da mídia americana é cada vez mais maciça e a chegada da Internet aumenta essa penetração,

sobretudo no que se refere aos jovens).

Entretanto,

a identidade quebequense torna-se mais complexa,

contribuindo ainda mais com os comportamentos ambíguos e ambivalentes dos quebequenses.

O Brasil: um vai-e-vem de miscigenações e de clivagens No caso do Brasil,

a ambigüidade pode ser associada a relações contraditórias e à disparidade,

que se manifestam ao longo de seu processo de colonização.

O traço singular desse processo consiste na capacidade dos portugueses de se misturarem com outros povos.

De fato,

no momento em que sociedade brasileira iniciou seu processo de organização social,

todo um século de contatos estreitos entre os portugueses e os trópicos (Índia e África) já havia ocorrido.

Então,

essa predisposição dos portugueses com relação a um tipo híbrido e escravagista de colonização se explica pelo seu passado étnico e cultural,

aquele de um povo maldefinido entre a Europa e a África (Holanda,

1987).

Todavia,

a facilidade dos portugueses de se relacionarem sexualmente com outros povos,

combinada com a exclusão praticada contra os indianos e negros,

se traduz finalmente em uma lógica de miscigenação baseada na dominação e na hierarquia social (Davel & Vasconcellos,

1997).

Com efeito,

não se observa,

uma formação histórica de cidadãos que dispõem de uma certa capacidade de dialogar politicamente com os colonizadores,

Conseqüentemente,

o início de todas as primeiras relações sociais não derivava de outras formas anteriores de sociabilidade,

nas quais os grupamentos humanos se estruturariam em classes sociais opostas,

tentando negociar as condições mínimas de suas relações.

Pelo contrário,

as relações sociais no Brasil se estruturam,

em torno do modelo de família patriarcal,

no âmbito do sistema agrário.

Apoiando-se nesse modelo,

o processo de colonização brasileiro combina a exploração da riqueza tropical (cana-de-açúcar,

minerais e café) com a exploração do trabalho escravo.

Então,

empregando um força de trabalho escrava,

o sistema da família patriarcal estabelece uma lógica de hierarquização rígida e uma forte estratificação social entre,

os indivíduos pertencentes ao mundo escravo (senzala) e,

aqueles pertencentes ao mundo dos senhores de terra (casa grande) (Freyre,

1978).

Ao centralizar a autoridade sobre a figura do patriarca,

a família colonial fornece os princípios da normalidade do poder,

da respeitabilidade e da obediência incontestável (Davel & Vasconcellos,

Freitas,

1997).

Enquanto sociedade miscigenada e hierarquizada,

o Brasil é atravessado por desigualdades e múltiplas gradações sociais.

Esse tratamento desigual dos indivíduos ao longo de sua formação histórica ocasionou um modo de navegação social baseado nas relações,

nas ligações familiares e amigáveis.

No Brasil,

o indivíduo é freqüentemente reconhecido e valorizado em função de sua rede de relações interpessoais.

Assim,

quando alguém encontrase frente a uma lei ou a situações universais e homogêneas,

recorre a uma chamada imediata às relações pessoais.

Os brasileiros tentarão,

criar uma saída intermediária para o impasse entre o impessoal e o pessoal,

o individual e o pessoal (DaMatta,

1987).

A dinâmica social: entre o individual e o pessoal Aqueles que desejem compreender a sociedade brasileira aprenderão,

Na compreensão das sutilezas da cultura brasileira,

esse conhecimento se apresentará como indispensável (Barbosa,

1995).

Vimos anteriormente que as raízes da cultura brasileira se compõem de miscigenações,

mas também de hierarquização e 5

Essas raízes misturadas seriam a principal causa do jeitinho.

Trata-se aqui do formalismo,

desse espaço existente entre o conteúdo formal da lei e a conduta concreta dos indivíduos.

No caso do jeitinho,

esse espaço não implica forçosamente punição para o transgressor da lei.

O jeitinho refere-se a um processo pelo qual alguém alcança um certo objetivo,

apesar de existirem determinações contrárias (leis,

Para Barbosa (1992),

o jeitinho representa uma forma “especial” de solucionar um problema ou uma situação difícil ou proibida.

Pode também referir-se à formulação de uma solução criativa face a uma situação de emergência,

seja pela violação de uma regra ou norma preestabelecida,

habilidade ou forma de conciliação,

Assim,

para que uma situação dada possa ser considerada como jeitinho,

faz-se necessário que o evento seja imprevisto e adverso aos objetivos do indivíduo.

Então,

para solucionar essa situação imprevista,

Em uma sociedade onde o jeitinho se impõe como veículo de ação social,

“tão cara à sociedade brasileira em determinadas instâncias,

não se realiza de forma uniforme,

mas em planos múltiplos e variáveis,

onde necessariamente o econômico não é o eixo central” (DaMatta,

1979).

De fato,

o jeitinho parte de pressupostos totalmente opostos àqueles da burocracia.

Enquanto o aparelho burocrático seria teoricamente racional,

utilizando categorias intelectuais,

o jeitinho aciona categorias emocionais.

Passando pelos sentimentos,

o jeitinho estabelece um espaço pessoal no domínio do impessoal.

E sua estratégia depende de características opostas àquelas da burocracia,

Amado e Brasil (1991) sugerem que o jeitinho representa uma espécie de denominador comum,

uma base hermenêutica a partir da qual a interpretação da cultura brasileira se torna possível.

Aliás,

Guerreiro Ramos (1983) e Roberto Campos (1960),

consideram o jeitinho como sendo um dos processos mais autênticos em termos de gestão de problemas,

apesar do conteúdo das regras,

códigos e normas,

ele representa um processo de adaptação eficaz para se viver em uma sociedade centralizadora,

Então,

com vistas a enfrentar um sistema social oligárquico,

o brasileiro desenvolveu um certo “jogo de cintura”,

uma certa flexibilidade do corpo e do espírito,

para contornar os obstáculos.

O jeitinho é,

usado para “driblar” as determinações que,

tornariam a ação desejada impossível.

Assim,

abordar a questão do jeitinho nos remete às questões de plasticidade e flexibilidade (Amado & Brasil,

1991).

Na posição de símbolo da identidade brasileira,

o jeitinho nos transporta a uma percepção singular do Brasil e do brasileiros,

reforçando uma dimensão da sociedade brasileira que privilegia os aspectos humanos da realidade cultural,

opondo-os aos aspectos legais,

A tendência será de reduzir o poder do anonimato individual (ou das leis) e de solucionar problemas e situações inesperadas no plano pessoal (Amado & Brasil,

1991).

Nesse sentido,

o exercício do jeitinho tende a valorizar sobretudo o pessoal,

Aliás,

é nessa medida que a ambigüidade se torna não somente um meio de sobreviver mas também um meio de viver.

Assim,

o jeitinho expressa o espírito cordial,

caloroso e humano de um país jovem,

sensual e aberto a uma infinidade de possibilidades (Barbosa,

1995).

Nesse cenário,

os conflitos devem ser evitados a qualquer preço.

Por exemplo,

os brasileiros apreciam eufemismos,

na medida em que estes permitem escapar de e atenuar situações desagradáveis e inconvenientes da vida social.

Pois é postergando ou diluindo os conflitos que 6

os brasileiros gravitam em torno dos problemas.

Isso,

significa que eles os solucionam.

Com efeito,

o jeitinho pode funcionar como um mecanismo de redução dos conflitos que facilite o trânsito de um ambiente a outro (Amado & Brasil,

1991).

Ele se converte em uma via de adaptação às situações da vida quotidiana.

AS EMPRESAS MARCADAS PELA AMBIGÜIDADE E ADAPTABILIDADE Além das diferenças sobre a interpretação da cultura quebequense e brasileira,

podemos ressaltar um certo consenso na literatura acadêmica de que se trata de contextos culturais dominados pela ambivalência e pela ambigüidade.

Evidentemente,

tais contextos explicam as relações interpessoais não somente no âmbito da sociedade mas também no das empresas.

Com efeito,

esses contextos orientam as condutas no trabalho,

impregnando-as de valores e de interpretações particulares.

Todavia,

não é apresentar todas as manifestações possíveis desses fenômenos culturais,

certos elementos significativos,

para melhor refletir sobre a administração em dois países americanos do Novo Mundo.

Um modo quebequense de administração No caso do Quebec,

a partir da imagem de seus colegas franceses,

como autoritários e centralizadores (Auclair & Read,

Janungo,

Gorn & Dauderis,

Rainville,

1980).

desde o início da década de 1980,

Major,

McCarrey,

Mercier & Gasse,

Su & Lessard,

um namoro evidente com a administração anglo-saxônica e,

a expressão de valores (e.g.,

adaptabilidade) ligados a sua condição de minoria e eterna ambivalência.

A pesquisa de Christoph Barmeyer (1994),

que compara os gerentes alemães com os gerentes quebequenses,

indica nitidamente que (ao menos aos olhos dos alemães) os gerentes quebequenses são receptivos,

Nota-se que,

é a flexibilidade que aparece como a maneira mais freqüente de qualificar o trabalho dos gerentes quebequenses.

Barmeyer (1994) observa também que os quebequenses não apresentam “nenhuma argumentação clara e nenhum fato concreto” (Barmeyer,

Essa ausência de argumentação clara e de fatos sólidos é o reflexo de uma certa ambigüidade e ambivalência no discurso dos gerentes quebequenses.

É que estes últimos preferem,

esperar e se adaptar às demandas a expressar fortemente suas idéias,

ao menos no contexto de negociação com os alemães.

a gentileza e o respeito com relação ao outro,

Os quebequenses tendem a adotar uma atitude distante e de espera com relação aos procedimentos: eles observam antes de avaliar e de interpretar”.

(Barmeyer,

será que poderíamos falar de um modo quebequense de administração de empresas,

centrado em valores tais como 7

Tal modo se encontra,

nas empresa nãosindicalizadas,

freqüentemente em meio rural,

que adotam um modelo paternalista baseado na escuta,

na participação e no espírito de comunidade.

Este é o caso,

da empresa Cascades – considerada como modelo de referência e estudada por vários autores (Cuggia,

Aktouf,

Bédard & Chanlat,

1992).

Esse modo encontra-se também em numerosas empresas sindicalizadas e inovadoras (Bélanger & Lévesque,

Grant & Lévesque,

Bélanger,

Lapointe & Lévesque,

1998).

Nessas empresas,

como indicam Grant e Lévesque (1997:261),

“encontram-se novas regras favorecendo uma partilha do poder e,

um engajamento dos sindicatos na questão da organização do trabalho visando à qualificação dos trabalhadores,

à polivalência e ao funcionamento em equipes de trabalho”.

Mesmo que esse movimento de gestão participativa se espalhe por todos os países desenvolvidos,

Grant e Lévesque (1997) sustentam que a forma democrática e de parceria é mais representativa no Quebec.

Ela se caracteriza,

contrariamente ao modelo americano,

por uma participação mais coletiva que individual dos empregados.

Vários pesquisadores apóiam a idéia que os modos de gestão quebequenses mais inovadores – e os mais próximos de sua cultura – se orientam para modelos mais participativos,

O que nos remete aos valores e comportamentos constatados com relação aos gerentes.

A ambigüidade e a ambivalência possibilitam acomodamentos de todas as naturezas,

Trata-se aqui de evitar afrontamentos e conflitos muito duros,

de ser o mais acomodado possível,

a fim de favorecer fórmulas em que primem os valores de igualdade,

de participação e de cooperação.

Por outro lado,

esses pesquisadores reconhecem que o modo de gestão originário dos Estados Unidos predomina no Quebec,

ao menos nas grandes empresas,

mas isso demonstra que brechas cada vez mais numerosas são realizadas.

Poderíamos até mesmo pensar – e os trabalhos de Ségal (1987,

1991,

bem como nossas próprias pesquisas – vão no mesmo sentido – que essa maneira de administrar – mais participativa,

consensual – se manifesta freqüentemente,

apesar da predominância do modelo hierárquico e formal de gestão,

Assim,

baseando-nos nessas pesquisas,

poderíamos avançar que a gestão quebequense se caracteriza por uma forte propensão à autonomia,

à participação,

à igualdade,

estabelecendo um considerável arranjo entre a dominação dos Estados Unidos,

em matéria de administração,

e a ambigüidade e ambivalência quebequense.

Um modo brasileiro de administração O universo da administração no Brasil é orientado por uma dinâmica sociocultural baseada em miscigenações e forte estratificação e hierarquização social.

A partir dessa distinção preliminar com relação à sociedade quebequense,

podemos observar que as manifestações do fenômeno da ambigüidade e da adaptabilidade parecem se produzir nas empresas brasileiras sob outras faces,

não tomando a forma de um modo de gestão tendente à igualdade.

De f

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